Wahl, Saul
Saul Wahl é uma personagem notável que, segundo a tradição, ocupou por um curto período de tempo o trono da Polônia. A história relacionada ao seu reinado é a seguinte: o príncipe Nicolau Radziwill, cognominado o Negro, que viveu no século XVI, desejando fazer penitência por muitas atrocidades que ele cometera quando jovem, fez uma peregrinação a Roma, a fim de consultar o papa sobre qual seria o melhor meio de expiar seus pecados. O papa aconselhou-o a demitir todos os seus servos e a viver, por alguns anos como um mendigo errante.
Depois que o prazo fixado expirou, Radziwill encontrou-se desamparado e sem dinheiro na cidade de Pádua, Itália. Seus apelos por ajuda não foram ouvidos por ninguém, e sua história de que era um príncipe foi recebida com desprezo e escárnio.
Ele finalmente decidiu apelar para Samuel Yehuda Katzenellenbogen, o rabino de Pádua. Este o recebeu com marcante respeito, tratou-o muito gentilmente, e forneceu-lhe todos os meios para regressar ao seu país natal de forma condizente com sua posição elevada. Quando chegou a hora da partida, o príncipe perguntou ao rabino como ele poderia recompensá-lo por sua bondade. O rabino, então lhe deu uma pintura com o retrato de seu filho Saul, que anos antes tinha ido para a Polônia, e pediu ao príncipe para tentar encontrá-lo em uma das muitas yeshivot (seminários rabínicos) desse país.
O príncipe não esqueceu do pedido. Após seu retorno à Polônia, ele visitou cada yeshivá da Polônia, até que finalmente descobriu que Saul no de Brest-Litovsk. Ele ficou tão fascinado com o brilho e a profundidade intelectual de Saul que o levou para seu castelo, onde providenciou para que todos os desejos dele fossem atendidos e forneceu-lhe todos os meios possíveis para os estudos e pesquisas. Os nobres que visitavam a corte de Radziwill ficavam maravilhados com a sabedoria e o conhecimento do jovem judeu, e assim a fama de Saul espalhou-se por toda a Polônia.
Quando o rei Bathori morreu em 1586, o povo da Polônia estava dividido em duas facções: os Zamaikis e os Zborowskis. Havia um grande número de candidatos ao trono, mas os partidários em disputa não conseguiam entrar em acordo com ninguém.
Existia naquela época, na Polônia, uma lei que estipulava que o trono não poderia permanecer desocupado por qualquer período de tempo, e que, caso os eleitores não pudessem chegar a um acordo sobre um candidato, alguém que não seja candidato deve ser nomeado rex pro tempore (rei temporário). Esta honra foi então oferecida a Radziwill. Ele, porém, recusou, dizendo que havia um homem que não pertencia a nenhum partido e que, em sabedoria e bondade era muito superior a qualquer outra pessoa que ele conhecia. Aquele homem possuía apenas uma pequena desvantagem, e se a Dieta (o Parlamento) se comprometesse a elegê-lo por unanimidade, ele (Radziwill) tornaria público o seu nome.
Assim, o nome de Saul foi solenemente proposto, e em meio a um grande entusiasmo, e gritos de "Viva o rei Saul!" Wahl ele foi eleito para este alto cargo. O nome "Wahl" foi-lhe dado a partir da palavra alemã “Wahl” (= "eleição"). Tradições discordam quanto à duração do seu reinado. Alguns afirmam que ele governou apenas por uma noite, outras dizem que foram alguns dias. Todos, entretanto, concordam que Saul conseguiu aprovar uma série de leis muito sábias, e entre eles algumas que melhoraram as condições dos judeus poloneses. Embora esta história não possa ser confirmada por nenhum dado histórico, ela ganhou um lugar firme na crença popular judaica.


Wiesel
“Há mil e um portões que levam ao pomar da verdade mística. Todo o ser humano tem seu próprio portão. Nunca devemos cometer o erro de querer entrar no pomar por um portão que não seja o nosso”.
Elie Wiesel